segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Superação Duque de Caxias mobiliza alunos e professores da Unicruz

Promover ações de assistência e auxílio à comunidade foi um dos objetivos da segunda edição do SuperAção Duque de Caxias, evento promovido pelo Exército Brasileiro em parceria com órgãos e entidades de Cruz Alta. A Unicruz, sempre comprometida com o social, é parceira das ações que possam contribuir com a população, mobilizando assim seus acadêmicos.
Durante todo sábado, 30, dezenas de professores e acadêmicos participaram das ações, que envolveram diversas áreas, com testes de glicose e colesterol, informações sobre doenças e o uso de medicamentos, orientações sobre diabetes, higienização e cuidados com a pele, orientações jurídicas e dos direitos do consumidor.

 Segundo os colaboradores da Coordenação de Pesquisa e Extensão da Universidade, Aline Cezar Costa e Alisson Oliveira, todas as atividades registraram boa procura, com destaque para as áreas de saúde, com os cursos de Biomedicina e Farmácia. O curso de Cosmética e Estética foi um dos mais movimentados, realizando limpeza de pele, maquiagem, dentre outros serviços. O Projeto Profissão Catador mobilizou a comunidade no coletaço de vidros, mostrando ainda o trabalho de fabricação e venda das vassouras ecológicas.
Outro espaço muito visitado foi do Núcleo do Projeto Rondon da Universidade. Os professores e rondonistas conversaram com os visitantes e explicaram sobre o Núcleo, que objetiva desenvolver ações com às comunidades local e da região Alto Jacuí. Através destas atividades os acadêmicos permanecem em constante capacitação, para que possam participar das operações a nível nacional. 
                                

A Universidade participou ainda do espaço destinado a Feira do Centro Público de Economia Popular e Solidária. A Coordenação de Extensão da Unicruz agradece aos professores e alunos que se empenharam na atividade e contam com a participação de todos nas próximas edições do evento.


Adrieli Fogaça – Acadêmica de Jornalismo e integrante do Projeto Rondon

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Operação Catopê: experiências no interior de Capitão Enéas

       



     A equipe do Núcleo do Projeto Rondon da Universidade de Cruz Alta continua em plena atividade na Operação Catopê, em Capitão Enéias (MG).  De sexta da semana passada (25) até segunda-feira, a equipe de rondonistas iniciou uma série de ações em comunidades localizadas no interior do município de Capitão Enéas. As comunidades visitadas foram Santana da Serra, Orion, Virgilândia e Caçarema.
     No interior, as dificuldades enfrentadas pela população, como a falta de água, de oportunidades para os jovens de acesso aos serviços de saúde e educação ficaram ainda mais evidentes para os rondonistas das duas universidades.  Outro aspecto que chamou a atenção de todos foi a carência da população, que vai muito além das necessidades básicas. Durante as atividades, os rondonistas eram acompanhados por grupos de crianças.

     Nas oficinas, muitos moradores emocionaram-se com temas como a saúde do homem e da mulher, a violência contra a mulher e o direito do trabalho. A construção de jogos também foi destaque entre os educadores das comunidades. A rondonista Amanda Spring, acadêmica da Biomedicina, relata o sentimento da equipe: “Estar aqui no norte de Minas Gerais, no sertão, e poder trazer um pouco mais de conhecimento e informação pra população deste local é muito gratificante. Mais gratificante ainda é poder ver o brilho nos olhos de cada um ao ver que alguém se preocupa com eles e que eles têm a chance de poder mudar de vida”.
Ministro do STFM, José Barroso (centro), em visita aos rondonistas em Capitão Enéas
     Na terça-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Militar, José Barroso, visitou o município de Capitão Enéas para observar as condições dos rondonistas e o andamento das atividades. Na oportunidade, ele tomou um café e conversou com as equipes. As atividades da Operação Catopê seguem até sábado.

Depoimento da rondonista Amanda Spring (Biomedicina):

     Às vezes ver a realidade de um determinado local apenas pela televisão comove, mas vive-la e poder sentir na pele o sofrimento de uma comunidade traz muito mais que isso, é uma lição de vida. Estar aqui no norte de Minas Gerais, no sertão, e poder trazer um pouco mais de conhecimento e informação pra população deste local é muito gratificante. Mais gratificante ainda, é poder ver o brilho nos olhos de cada um ao ver que alguém se preocupa com eles e que eles têm a chance de poder mudar de vida. A vida aqui para esta população não é nada fácil. A seca acomete grande parte dos municípios e dessa maneira a população sofre muito com a falta de água, algumas vezes com a falta de comida. A poeira está em todo lugar, fazendo com que as pessoas sofram muito com doenças respiratórias. Além disso, as oportunidades de trabalho são escassas, sendo mais um motivo para o pouco desenvolvimento das comunidades. Viver o Rondon, com certeza está me tornando uma pessoa diferente. No Sul, as coisas são bem mais fáceis. Ver as crianças aqui implorando por uma atenção, um carinho, um colo, um prato de comida, mostra como devemos ser gratos por tudo que temos. Pelo simples fato de poder acordar em uma cama quentinha, com um copo de café na mesa e um pão. Ou por poder lavar o rosto com a água que chega até nossas casas. Ao final de algumas oficinas, a população fica tão feliz em ver que ainda a chances de mudar essa realidade, que elas vêm agradecer e dar um abraço apertado. E com certeza eu levarei isso por onde eu for. Jamais esquecerei tudo que vivi aqui. O Projeto Rondon é uma grande oportunidade de ensinar e também aprender. Realmente é uma grande lição de vida e cidadania.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Rondonistas da Unicruz iniciam atividades em Minas Gerais
A Universidade de Cruz Alta participa mais uma vez das ações nacionais do Projeto Rondon.  A Operação Catopê ocorre no norte de Minas Gerais, região com os menores Índices de Desenvolvimento Humano do estado.
A equipe da Unicruz, composta por dois professores e sete alunos, partiu de Cruz Alta no sábado (19). Em Montes Claros (MG), os rondonistas foram recebidos pelos militares do 55º Batalhão de Infantaria, unidade do Exército Brasileiro que presta apoio às atividades da Operação. Além da equipe da Unicruz, outras 25 universidades de diversos estados brasileiros participam da Operação Catopê. 
O deslocamento para o município de Capitão Enéas ocorreu na segunda-feira (21). Durante 12 dias, a equipe da Universidade de Cruz Alta desenvolverá ações nas áreas de saúde, educação, cultura, direitos humanos e justiça, enquanto a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) desenvolverá atividades nas áreas de comunicação, meio ambiente, trabalho, tecnologia e produção.




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Operação Velho Monge: o fim é só o começo




 - Já vão? A gente vai sentir falta de vocês passando por aqui todo dia.
Quem diz isso é uma senhora em frente à sua casa enquanto nossa equipe volta ao alojamento para a última refeição que as cozinheiras Francisca e Alice prepararam com esmero de sempre em nossa estada em Murici dos Portelas.  Se no início causávamos estranhamento pela cor dos olhos e da pele, pelo sotaque diferente e por andarmos sempre em grupo, nos últimos dias a comunidade estava acostumada com os gaúchos de amarelo que falavam gritando.
Já estamos de volta à Teresina, não acreditando que nossa missão está cumprida e, no silêncio de nossas camas, tentando compreender com plenitude o que o projeto Rondon significou para nossas vidas. Entretanto, o último contato com a comunidade, na manhã de sábado, nos deu certeza do quanto nós significamos para os muriciences. Durante a entrega dos certificados, todos queriam fotografar e abraçar cada um de nós, independentemente se os conhecíamos de alguma oficina ou não. Murici dos Portelas é, definitivamente, a cidade dos abraços.
Mas que povo é esse que conhecemos no Piauí? Com cada rondonista que conversamos, o sentimento é o mesmo: um povo que carrega no coração uma simplicidade ímpar, que vivem o mundo com os pés no chão e, mesmo com as dificuldades,  cada pessoa que conhecemos faz o seu melhor do pouco que possuem. O projeto Rondon transformou a nossa visão a respeito dessa região tão preciosa do Brasil: convivendo nos lugares mais remotos do Piauí,  encontramos um sentimento que muitos procuram, mas não sabem como encontrar: felicidade.
Encerramento

Felicidade seria uma das diversas palavras que resumiriam a reta final da operação Velho Monge. Os muricienses nos ensinaram que para sermos felizes não é necessário nada além de estender a mão ao próximo sem esperar nada em troca e se alegrar por isso. Mas quando pensávamos que estávamos ajudando, na realidade era a comunidade que nos ofereciam suas mãos. Em Murici dos Portelas, pessoas comuns nos deram o suporte que contribuiu decisivamente para o nosso trabalho. E foi com esse povo solícito e hospitaleiro que aprendemos nossa maior lição.

Certas pessoas, como a professora Chaguinha, foram fundamentais para a equipe da Unicruz
Conhecemos a professora Chaguinha no primeiro dia de operação, quando fazíamos o primeiro contato com a comunidade. Fomos informados de que 100 pessoas estavam escritas na oficina de Inclusão Digital, mas não havia computadores suficientes. Foi então que a professora nos abriu as portas da escola em que é diretora, a E.E. Otávio Escórcio Gomes. Havia 20 computadores que precisavam ser instalados no laboratório de informática, que por sua vez estava em reformas. Nossa equipe fez questão de instalá-los e organizar o local e mais do que isso: a escola se tornou a nossa segunda casa em Murici dos Portelas.
O resultado da ação da professora é que formamos cerca de 100 pessoas na Oficina de Inclusão Digital. Tamanha grandeza merecia algo além da nossa gratidão:

Laboratório antes

Laboratório depois



No sábado, entregamos o novo laboratório de informática e agradecemos profundamente à professora por ter sido tão generosa, hospitaleira e solícita conosco. Foi então que recebemos o melhor presente do Piauí:
- Eu tenho na minha vida o seguinte pensamento: quem não vive para servir, não serve para viver.

 O conselho da professora é com certeza o legado que levaremos da Operação Velho Monge. Uma simples frase que dá sentido ao projeto Rondon: fazer com que os jovens retornem aos seus lares e universidades conscientes de que a missão das nossas vidas é fazer das nossas futuras profissões sejam um instrumento para servir ao próximo. O Rondon vai além do certificado recebido na cerimônia de encerramento. É uma lição de vida que consiste em voltar a acreditar nas utopias; é cantar a plenos pulmões que somos pescadores de ilusões em um Brasil que brota esperança nos seus cantos mais longínquos. É acreditar que, depois do adeus, o fim é só o começo.

Davi S. Pereira
Acadêmico de Jornalismo, Rondonista e pescador de ilusões

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A benção do Velho Monge - Projeto Rondon em Murici dos Portelas


Parnaíba: O Velho Monge



Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío

Creo que he visto una luz al otro lado del río
(trecho da música "Al otro lado del río", de Jorge Drexler)


Murici dos Portelas é um município que cresce às margens do rio Parnaíba, que faz divisa do Piauí com o Maranhão. As águas do Parnaíba são caudalosas e por isso é popularmente chamado de Velho Monge. No percurso desse rio está um povo com raízes bem estabelecidas, mas que carece de recursos e principalmente de uma voz amiga para auxiliá-lo a enxergar as potencialidades da terra em que nasceram. E esse é o motivo da operação em que estamos participando ser denominada Velho Monge.
Durante o tempo de atividades em Murici dos Portelas, a equipe da Universidade de Cruz Alta estabeleceu contatos e até mesmo criou laços de amizade com trabalhadores locais, que desde nossa chegada se aproximaram do projeto Rondon. Em Murici, encontramos pequenos produtores, homens que tiram da terra seu sustento, dispostos a superar as dificuldades do quase eterno verão piauiense, mas conscientes de que para tal missão necessitam de conhecimento.
Conversamos na tarde de ontem com um grupo de agricultores familiares que estão interessadíssimos na criação de gado leiteiro. A equipe da Unicruz preparou oficinas sobre a implantação do sistema silvipastoril e melhoramento de produção leiteira. Mas o que seria uma apresentação de 50 minutos tornou-se uma agradável troca de experiências que durou a tarde toda: os produtores emendavam uma questão atrás da outra, desde sobre alternativas na pastagem para o gado até criação de ovelhas. 

Conversa com produtores locais sobre criação de gado leiteiro

“Aqui no nordeste é o seguinte: a gente não tem aquela tecnologia que vocês têm disponível lá no sul e nunca veio ninguém aqui para passar uma orientação”, declara João Rodrigues. O mais espontâneo de todos, Dario Portela, não esconde a empolgação: “O Projeto Rondon caiu do céu! Murici tem muita sorte!”.
Identificamos a chave para desencadear o desenvolvimento regional: assistência técnica. Algo que parece ser tão trivial na região sul, está longe de ser realidade aqui no Piauí. O que a equipe da Unicruz tem feito ao longo da operação é orientar os produtores, apontando alternativas viáveis para um melhor rendimento, ajudando-os a visualizar que as soluções estão mais próximas do que imaginam. “Vocês não fazem ideia das alternativas que o lugar onde vocês estão oferecem”, diz o aluno Gert Muller, da Agronomia, aconselhando os produtores locais. Falta aos agricultores familiares a iniciativa de usar, de forma sustentável, a principal riqueza da região, o rio Parnaíba. Incentivamos os produtores locais a juntarem esforços na busca e elaboração de projetos que visem recursos junto ao governo para irrigação.

Acadêmicos da Unicruz em conversa sobre pesca ribeirinha


O Velho Monge já é fonte de renda de diversas famílias que vivem às suas margens: “quem trabalha na roça também pesca”, afirma José de Arimatea, presidente da Associação de Pescadores de Murici dos Portelas. Com mais de 600 associados em Murici, além das comunidades de Caxingó e Carnaúba, os pescadores locais são organizados, mas precisavam de um norte sobre como proceder para enfrentar problemas e adquirir recursos para a exploração da pesca artesanal. Assim como os agricultores familiares, a associação também manteve um contato intenso com a equipe do projeto Rondon, participando ativamente das oficinas oferecidas. Nossa equipe teve dois momentos especiais com os pescadores: no primeiro, uma reunião na Câmara de Vereadores em que foi discutido o problema do desaparecimento de espécies no Parnaíba e as alternativas de repovoamento. Já no segundo encontro, discutimos com os pescadores a forma de elaborar e onde procurar fontes para obter recursos para o projeto que a associação pretende elaborar: a obtenção de barcos a motor que fiquem à disposição dos pescadores.
Há muito a se fazer para o desenvolvimento das principais atividades econômicas da região, a pesca e a agricultura familiar. Mas o desejo de aprender que emana de homens cujas marcas da experiência já estão estampadas em suas faces nos motiva a oferecer nosso melhor e nos faz sentir que, nessa reta final de operação, nossa estada em Murici dos Portelas está valendo a pena. É perfeitamente possível superar os problemas crônicos da região, apesar dos eternos verões, da escassez de recursos e da falta de uma assistência técnica adequada. Mas isso exige trabalho (quesito em que todos aqui são exemplares) e principalmente paciência, conscientes de que os resultados virão a longo prazo. É necessário seguir o mesmo ritmo do caudaloso Parnaíba, pacientes como um Velho Monge. 

Davi S. Pereira - 
Acadêmico de Jornalismo e Rondonista

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Por um Novo Horizonte: Equipe da Unicruz na zona rural

Em Novo Horizonte, estabelecendo laços de amizade e troca de conhecimento


 Porteira adentro, a comunidade rural de Novo Horizonte apresenta um ambiente alternativo, depois de uma semana de atividades concentradas na cidade de Murici dos Portelas. Se partirmos da ideia de que lugares são formados por mundos dentro de outros mundos, podemos dizer que Novo Horizonte, assim como as outras comunidades rurais atendidas pelo projeto Rondon, é um lugar único no município.
A impressão de quem adentra a porteira de Novo Horizonte é que está dentro de um daqueles lugares, talvez dos livros de Jorge Amado, embora não estejamos na Bahia. O clima tropical agora faz sentido, principalmente se levarmos em consideração o fato de estarmos acostumados com o ambiente subtropical do Rio Grande do Sul.
A vivacidade em Novo Horizonte se resume na espontaneidade das crianças

Mas o aspecto mais peculiar de todo o lugar é a cor: Novo Horizonte é prateado como seria o terreno lunar, resultado dos raios do sol das nove horas em contraste com o terreno predominantemente arenoso, que por sua vez destaca a pele morena dos amistosos e receptivos moradores. Não se percebe só a diferença na coloração – no noroeste gaúcho, as cores variam entre o verde e o dourado da soja e do trigo - , mas um contraste também em nossas ideias em torno do conceito de ruralidade.
“Aqui é melhor quando temos um bom inverno”, comenta Seu Manoel da Silva, denunciando a nós que realmente estamos em um mundo em que as relações clima-tempo-trabalho são completamente diferentes. Inverno no Piauí corresponde ao período das chuvas, exatamente no período em que estamos aqui. Entretanto, foram poucos os dias em que realmente choveu intensamente durante nossa estada em Murici dos Portelas.
"O terreno arenoso, por sua vez, contrasta com a pele morena dos amistosos e receptivos moradores"

Em Novo Horizonte, os pequenos agricultores plantam milho, mandioca e feijão, na realidade, variadas espécies de feijão que ainda não tínhamos ouvido falar. Um ou outro tem algumas vacas, duas a três, no máximo, para o leite da família, enquanto as galinhas passeiam livremente na comunidade. “A maioria de nós aqui era do Murici, mas quem vem pra cá vem pra trabalhar”, ressalta Francisco da Silva, ideia essa reforçada por todo mundo que esteve presente na Oficina de Manejo de Frango Caipira e Suinocultura. Os simpáticos moradores da comunidade querem crescer: prova disso são as metas estabelecidas na parede da igreja.

Manoel (à esquerda) e Francisco: ávidos por troca de experiências

Sigo na conversa com o Seu Manoel junto à janela da igreja:
“A produção nossa é pequena e tudo que fizemos na roça é na mão mesmo. Só tem máquina quem tem mais dinheiro. Mas a gente se vira como pode. Tá vendo aquela planta ali no meio (aponta para uma muda de algo parecido com o nosso cinamomo)? É uma árvore nova, a gente nem sabe o nome, mas esses dias descobrimos que é boa contra praga no feijão”. Então começamos a falar sobre feijão e que amanhã mesmo, se assim Deus quiser, ele vai começar a plantar, porque alguns já começaram. “Esses caboclos que passaram de moto agora (cena muito comum em Murici dos Portelas), vão todos trabalhar no corte de cana”. 

Ao fundo, o lugar onde é feita a farinha de mandioca, cultura comum em Novo Horizonte

Seu Manoel gosta de conversar, assim como todos em Novo Horizonte. Até mesmo as crianças:
“Vocês vão sentir saudades de mim?”, perguntou a rondonista Mariela Camargo para a criançada que se juntou em volta dela. “De você não, mas do jeito que você fala”, respondem. O povo piauiense também gosta de ouvir.
"Vamos sentir saudades do jeito que você fala"


Para Francisco da Silva, um dos primeiros a chegar, felicidade é a palavra que resume a chegada do projeto Rondon na comunidade: "Achei muito boa essa troca de experiência. As informações que vocês nos passaram vão ser bem proveitosas para melhorar nosso rendimento". E não é exagero dizer que, em Novo Horizonte, todos ficaram felizes com nossa presença. Perguntei para outro morador, Antônio dos Santos, se a comunidade recebia alguma assistência técnica: "Aqui não vem ninguém não. No máximo vem o agente de saúde e tudo o que fizemos é conforme a gente acha ser a melhor maneira". 
Na oficina da manhã de domingo, o acadêmico Giliardi Zanatta conversou de igual para igual com os produtores locais, que se mostraram participativos, receptivos e atentos a todas as informações repassadas. Em Novo Horizonte mora um povo simples, mas organizado, repleto de saberes e sobretudo preocupado em crescer enquanto comunidade. E nosso desejo  é ajudar a apontar novos horizontes de possibilidades.

Davi S. Pereira
Acadêmico de Jornalismo e Rondonista

sábado, 25 de janeiro de 2014

Unicruz realiza oficina voltada para ações empreendedoras

As oficinas realizadas em Murici dos Portelas pelos estudantes da Universidade de Cruz Alta (RS) têm seguido a filosofia de apontar caminhos e potenciais aos participantes, conscientizando que, a partir das ferramentas que dispõem na própria comunidade, todos podem contribuir para o desenvolvimento local.
A primeira semana do projeto Rondon no município foi voltada para atividades na zona urbana, com oficinas nas áreas de Comunicação, Meio Ambiente, Tecnologia e Produção, além de Geração de Trabalho e Renda.

Oficina "Aprendendo a Empreender"

As oficinas elaboradas pelos alunos da Unicruz têm envolvido os participantes, colhendo ótimos resultados. Nos dias 23 e 24 foi realizada a oficina “Aprendendo a Empreender”, sob o comando do acadêmico de Direito, Cleiton Sell. A atividade discutiu a importância de ações empreendedoras na comunidade, motivando os participantes a olharem para a realdade local, identificarem as demandas e não terem receio de ser criativos e inovadores.

Equipe apresenta ideias para novo empreendimento local

O resultado foi a criação e apresentação de três planos de negócios. Os participantes da oficina se dividiram em grupos, discutiram as necessidades do município e criaram ideias de empreendimentos para apresentar ao público. Foram apresentados um centro de lazer, uma loja de variedades e uma loja de roupas para bebês. Cada empreendimento foi pensado a partir de necessidades que os próprios moradores comentam nas conversas com os rondonistas: os mais jovens sentem falta de mais opções de lazer. Por outro lado, Murici dos Portelas tem alto índice de natalidade, mas não há uma loja que venda o enxoval dos bebês.


 A oficina de empreendedorismo ajudou os participantes a compreenderem seu papel de empreendedores e que cada iniciativa contribui para o desenvolvimento local.

Uma semana em Murici dos Portelas: Ouvir e somar para multiplicar



 Fechamos uma semana de trabalhos em Murici dos Portelas e a impressão é que estamos há tempos aqui. Apesar do cumprimento do cronograma de atividades, a rotina não se repete, pois a cada oficina conhecemos novos mundos, novas histórias de pessoas com vontade de aprender.
- Eu sempre digo: tudo o que você fizer, vale a pena. Só não vale a pena o que você não faz – diz o professor Francisco, radialista e apresentador nos horários de maior audiência da rádio local, a Listris FM, toda vez que aconselha seus ouvintes a participarem das oficinas oferecidas pela equipe do Projeto Rondon. Em Murici dos Portelas há muitas pessoas criativas, sabedoras das necessidades locais e com vontade de colocar suas ideias em prática. Mas como elas mesmas dizem, falta um “empurrãozinho” em direção ao caminho certo. E todos enxergam em cada um dos rondonistas como os agentes que darão a orientação correta.
A equipe da Universidade de Cruz Alta acredita que o trabalho não consiste em imposições de nossas próprias ideias, mas de contribuir para aflorar o potencial escondido dos cidadãos do município. Por isso a palavra da semana é Ouvir. Escutamos trabalhadores da cidade, produtores rurais, pescadores, estudantes, mães e crianças, com o objetivo de descobrir de que forma cada um de nós pode contribuir com os conhecimentos adquiridos na universidade.


- Somos um povo que trabalha muito com muito pouco. O problema do nordeste é que todo mundo de fora que vem aqui não pensa em soluções de acordo com nossa realidade – comenta Seu João Gomes, produtor e também do sindicato dos funcionários públicos, enquanto conversávamos e concluíamos que, muitas vezes o “feijão com arroz”, acrescentando também o tempero da paciência, é o prato necessário para resolver muitos problemas que atingem a economia local, predominantemente rural.
A fórmula aplicada no trabalho dos rondonistas em Murici dos Portelas é a soma do nosso conhecimento mais o potencial e conhecimento da comunidade. O resultado final é criar multiplicadores que contribuam para o desenvolvimento social e melhor qualidade de vida de um município que merece muito mais do que um ponto no mapa piauiense, tamanho o valor das pessoas que aqui moram.
Como disse o Seu Bernardo (o da sorveteria), Murici é pequena de tamanho, mas grande de coração.

Davi S. Pereira


Acadêmico de Jornalismo e Rondonista


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Murici dos Portelas: Cidade feita de Abraços


Estamos há dois dias em Murici dos Portelas, jovem município enraizado na parte norte do Piauí. Foram seis horas de Teresina até nosso destino final, numa viagem cansativa, mas embalada pela empolgação que tomava conta da “moçada do fundão”, no caso, nós.  Ninguém fazia ideia do que iríamos encontrar, mas no calor da estrada e no entusiasmo da equipe algo dizia que seria simplesmente único.
                Ao chegar em Murici dos Portelas, fomos abraçados. Literalmente.
                Em Murici, a palavra abraço se junta ao verbo sentir. Acredito que encontramos aqui o verdadeiro significado de hospitalidade: apesar da pouca infraestrutura e recursos, o povo da cidade nos tem oferecido, na sua simplicidade e humildade, o seu Melhor (sim, maiúsculo) e nada seria mais precioso do que isso. A roda de capoeira e a apresentação da quadrilha de xaxado – para mim, um grande musical com pinta de ópera sobre a saga de Virgulino Lampião – foram primorosas. A comida é feita com esmero de uma mãe para com os filhos e os pratos são verdadeiras iguarias, que nos faz perguntar como que nunca na vida  provamos feijão de corda e vatapá.
                A cidade são as pessoas e para conhecê-la de fato, precisamos senti-la. Essa foi a nossa motivação na primeira manhã em Murici, quando fomos de porta em porta, loja em loja, bar em bar, para divulgar pessoalmente a chegada do projeto Rondon. Em cada pessoa, conhecíamos um mundo diferente, descobríamos algo novo e sobretudo a dar atenção: Em Murici dos Portelas mora um povo carente de ouvidos que possam ouvir suas histórias e de braços dispostos a abraçá-los. As crianças nos dão seus braços para que possamos pegá-las no colo. No final das oficinas, as pessoas agradecem intensamente com esse símbolo máximo e universal do afeto. Eu mesmo não lembrava do valor de um abraço.

                Mais do que nos receber com carinho, o povo tem sido solícito para que nossas oficinas saiam da melhor forma possível. Quando chegamos em Murici, havia somente cinco computadores para nossos cursos na área de informática. E foi numa simples conversa com a diretora de uma escola que descobrimos o que chamamos de “mina de ouro”: havia na escola 18 computadores disponíveis, que ainda precisavam ser instalados no laboratório de informática. Por sua vez, o espaço estava em reforma e precisava ser limpo. O resultado foi um intenso mutirão. Quando nos demos por conta, estávamos contribuindo efetivamente para a comunidade, deixando a nossa primeira marca na cidade.
                Nossas primeiras oficinas e contatos causaram comoção e impacto no grupo todo. Gert e Jean voltaram emocionados da oficina de Controle Ecológico de Pragas e Plantas Medicinais: “Nossa conversa foi olho-no-olho”, disse o Gert. Estamos sentindo aqui que podemos contribuir efetivamente para a comunidade. Sabemos o quanto a participação em um projeto como esse pode contribuir para nossa vida profissional, mas isso é muito pouco comparado ao sentimento de que viemos de longe, muito longe, para bater um bom papo, receber sorrisos e abraços e aprender que, não importa se em Cruz Alta ou Murici dos Portelas, ainda estamos em casa. Como previa, nossa visão de mundo, identidade e de lugar em que vivemos está sendo alterada. Em suma, nossa vida está mudando. Para melhor.
Primeira lição: O Brasil é nossa casa.

Davi S. Pereira
Acadêmico de Jornalismo e Rondonista

sábado, 18 de janeiro de 2014

Grupo do Rondon Unicruz rumo a Murici dos Portelas: primeiras sensações rondonistas





Equipe de Rondonistas da Unicruz em frente ao palácio do governo em Teresina
O tempo urge, bem como o sono e o dever de acordar cedo no 25º Batalhão de Caçadores em Teresina (aceita-se também a grafia “Theresina”, ao que parece), no Piauí (em tempo: Luiz Gonzaga, o rei do baião, serviu nesse batalhão). Assim, nada resume melhor a nossa sensação dos primeiros dias em terras nordestinas do que a pergunta que o colega Giliardi Zanatta me fez no descolamento do aeroporto ao quartel. Assim disse ele, nesses termos:
- Cara, tu já parou para pensar onde que a gente está?
Realmente, uma das maiores forças do Projeto Rondon está em mobilizar professores e alunos de um extremo a outro do Brasil na missão mais nobre possível: formar jovens cidadãos comprometidos com o desenvolvimento social do lugar onde vivemos. O mais interessante é que o projeto nos mostra que o que chamamos de “lugar onde vivemos”, na verdade é uma gigantesca nação de quase 200 milhões de habitantes, única em sua diversidade cultural, geográfica, climática (foram os 30 graus mais quentes que sentimos em Teresina) e principalmente humana.
Desde o aeroporto Salgado Filho, algumas pessoas mais velhas nos paravam para perguntar: “Para onde vocês vão? Ah, quando era jovem também participei do Rondon”, dizia uma simpática senhora natural de Fortaleza, Ceará, ainda em Porto Alegre. Na sala de embarque, outro senhor: “Participei do Projeto Rondon nos anos 70”. Ouvir essas pessoas nos desejando boa sorte e empolgadas com nossa partida nos deixou com o sentimento de que partíamos rumo a algo que mudará nossas vidas para sempre. É possível sentir um forte simbolismo em torno do Rondon, em todas as atividades que participamos até agora.
Sentir. Esse é o verbo que impera no nosso primeiro contato com a “nação Rondon”. A sensação é de que os sotaques mais distintos dos rondonistas reunidos no 25º BC são como uma música nunca antes tocada. O sentimento de dever nos envolve quando ouvimos a banda de música tocar os dobrados e assistimos ao desfile militar. Sentimos o calor literal, atenuado pelo calor humano do povo teresinense: nada melhor do que, em terras desconhecidas, alguém que nunca vimos nos parar, olhar nos nossos olhos e dizer: “sejam bem-vindos ao nosso estado”. 
Com os colegas de operação, mineiros da UFMG

Teresina nos acolheu muito bem, durante esses dois dias de estada na cidade. A “tour” pelos principais pontos da capital: parque Nova Potycabana, encontro entre os rios Parnaíba e Poti, Palácio do Governo do Estado e no mirante da Ponte Estaiada. O deslocamento para o município de Murici dos Portelas, no norte do estado, é amanhã. Esperamos retribuir as boas vindas teresinenses com muito trabalho, dedicação às atividades e ouvidos e olhos atentos para aprender com as pessoas que vamos conhecer por lá. O Piauí é nossa casa por duas semanas e já amamos como se fosse a nossa, lá na velha Cruz Alta.
“Não nos pergunte do que somos capazes. Dê-nos a missão” – lema pintado na parede do 25º BC.
Davi S. Pereira – acadêmico de Jornalismo e Rondonista