| Equipe de Rondonistas da Unicruz em frente ao palácio do governo em Teresina |
O tempo urge,
bem como o sono e o dever de acordar cedo no 25º Batalhão de Caçadores em
Teresina (aceita-se também a grafia “Theresina”, ao que parece), no Piauí (em
tempo: Luiz Gonzaga, o rei do baião, serviu nesse batalhão). Assim, nada resume
melhor a nossa sensação dos primeiros dias em terras nordestinas do que a
pergunta que o colega Giliardi Zanatta me fez no descolamento do aeroporto ao
quartel. Assim disse ele, nesses termos:
- Cara, tu já
parou para pensar onde que a gente está?
Realmente, uma
das maiores forças do Projeto Rondon está em mobilizar professores e alunos de
um extremo a outro do Brasil na missão mais nobre possível: formar jovens
cidadãos comprometidos com o desenvolvimento social do lugar onde vivemos. O
mais interessante é que o projeto nos mostra que o que chamamos de “lugar onde
vivemos”, na verdade é uma gigantesca nação de quase 200 milhões de habitantes,
única em sua diversidade cultural, geográfica, climática (foram os 30 graus
mais quentes que sentimos em Teresina) e principalmente humana.
Desde o
aeroporto Salgado Filho, algumas pessoas mais velhas nos paravam para
perguntar: “Para onde vocês vão? Ah, quando era jovem também participei do Rondon”,
dizia uma simpática senhora natural de Fortaleza, Ceará, ainda em Porto Alegre.
Na sala de embarque, outro senhor: “Participei do Projeto Rondon nos anos 70”.
Ouvir essas pessoas nos desejando boa sorte e empolgadas com nossa partida nos
deixou com o sentimento de que partíamos rumo a algo que mudará nossas vidas
para sempre. É possível sentir um forte simbolismo em torno do Rondon, em todas
as atividades que participamos até agora.
Sentir. Esse é
o verbo que impera no nosso primeiro contato com a “nação Rondon”. A sensação é
de que os sotaques mais distintos dos rondonistas reunidos no 25º BC são como
uma música nunca antes tocada. O sentimento de dever nos envolve quando ouvimos
a banda de música tocar os dobrados e assistimos ao desfile militar. Sentimos o
calor literal, atenuado pelo calor humano do povo teresinense: nada melhor do
que, em terras desconhecidas, alguém que nunca vimos nos parar, olhar nos
nossos olhos e dizer: “sejam bem-vindos ao nosso estado”.
| Com os colegas de operação, mineiros da UFMG |
Teresina nos
acolheu muito bem, durante esses dois dias de estada na cidade. A “tour” pelos
principais pontos da capital: parque Nova Potycabana, encontro entre os rios
Parnaíba e Poti, Palácio do Governo do Estado e no mirante da Ponte Estaiada. O
deslocamento para o município de Murici dos Portelas, no norte do estado, é
amanhã. Esperamos retribuir as boas vindas teresinenses com muito trabalho,
dedicação às atividades e ouvidos e olhos atentos para aprender com as pessoas
que vamos conhecer por lá. O Piauí é nossa casa por duas semanas e já amamos
como se fosse a nossa, lá na velha Cruz Alta.
“Não nos
pergunte do que somos capazes. Dê-nos a missão” – lema pintado na parede do 25º
BC.
Davi S. Pereira
– acadêmico de Jornalismo e Rondonista
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