sábado, 25 de janeiro de 2014

Uma semana em Murici dos Portelas: Ouvir e somar para multiplicar



 Fechamos uma semana de trabalhos em Murici dos Portelas e a impressão é que estamos há tempos aqui. Apesar do cumprimento do cronograma de atividades, a rotina não se repete, pois a cada oficina conhecemos novos mundos, novas histórias de pessoas com vontade de aprender.
- Eu sempre digo: tudo o que você fizer, vale a pena. Só não vale a pena o que você não faz – diz o professor Francisco, radialista e apresentador nos horários de maior audiência da rádio local, a Listris FM, toda vez que aconselha seus ouvintes a participarem das oficinas oferecidas pela equipe do Projeto Rondon. Em Murici dos Portelas há muitas pessoas criativas, sabedoras das necessidades locais e com vontade de colocar suas ideias em prática. Mas como elas mesmas dizem, falta um “empurrãozinho” em direção ao caminho certo. E todos enxergam em cada um dos rondonistas como os agentes que darão a orientação correta.
A equipe da Universidade de Cruz Alta acredita que o trabalho não consiste em imposições de nossas próprias ideias, mas de contribuir para aflorar o potencial escondido dos cidadãos do município. Por isso a palavra da semana é Ouvir. Escutamos trabalhadores da cidade, produtores rurais, pescadores, estudantes, mães e crianças, com o objetivo de descobrir de que forma cada um de nós pode contribuir com os conhecimentos adquiridos na universidade.


- Somos um povo que trabalha muito com muito pouco. O problema do nordeste é que todo mundo de fora que vem aqui não pensa em soluções de acordo com nossa realidade – comenta Seu João Gomes, produtor e também do sindicato dos funcionários públicos, enquanto conversávamos e concluíamos que, muitas vezes o “feijão com arroz”, acrescentando também o tempero da paciência, é o prato necessário para resolver muitos problemas que atingem a economia local, predominantemente rural.
A fórmula aplicada no trabalho dos rondonistas em Murici dos Portelas é a soma do nosso conhecimento mais o potencial e conhecimento da comunidade. O resultado final é criar multiplicadores que contribuam para o desenvolvimento social e melhor qualidade de vida de um município que merece muito mais do que um ponto no mapa piauiense, tamanho o valor das pessoas que aqui moram.
Como disse o Seu Bernardo (o da sorveteria), Murici é pequena de tamanho, mas grande de coração.

Davi S. Pereira


Acadêmico de Jornalismo e Rondonista


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