Fechamos
uma semana de trabalhos em Murici dos Portelas e a impressão é que
estamos há tempos aqui. Apesar do cumprimento do cronograma de
atividades, a rotina não se repete, pois a cada oficina conhecemos
novos mundos, novas histórias de pessoas com vontade de aprender.
- Eu
sempre digo: tudo o que você fizer, vale a pena. Só não vale a
pena o que você não faz – diz o professor Francisco, radialista e
apresentador nos horários de maior audiência da rádio local, a
Listris FM, toda vez que aconselha seus ouvintes a participarem das
oficinas oferecidas pela equipe do Projeto Rondon. Em Murici dos
Portelas há muitas pessoas criativas, sabedoras das necessidades
locais e com vontade de colocar suas ideias em prática. Mas como
elas mesmas dizem, falta um “empurrãozinho” em direção ao
caminho certo. E todos enxergam em cada um dos rondonistas como os
agentes que darão a orientação correta.
A equipe
da Universidade de Cruz Alta acredita que o trabalho não consiste em
imposições de nossas próprias ideias, mas de contribuir para
aflorar o potencial escondido dos cidadãos do município. Por isso a
palavra da semana é Ouvir. Escutamos trabalhadores da cidade,
produtores rurais, pescadores, estudantes, mães e crianças, com o
objetivo de descobrir de que forma cada um de nós pode contribuir
com os conhecimentos adquiridos na universidade.
- Somos
um povo que trabalha muito com muito pouco. O problema do nordeste é
que todo mundo de fora que vem aqui não pensa em soluções de
acordo com nossa realidade – comenta Seu João Gomes, produtor e
também do sindicato dos funcionários públicos, enquanto
conversávamos e concluíamos que, muitas vezes o “feijão com
arroz”, acrescentando também o tempero da paciência, é o prato
necessário para resolver muitos problemas que atingem a economia
local, predominantemente rural.
A
fórmula aplicada no trabalho dos rondonistas em Murici dos Portelas
é a soma do nosso conhecimento mais o potencial e conhecimento da
comunidade. O resultado final é criar multiplicadores que contribuam
para o desenvolvimento social e melhor qualidade de vida de um
município que merece muito mais do que um ponto no mapa piauiense,
tamanho o valor das pessoas que aqui moram.
Como
disse o Seu Bernardo (o da sorveteria), Murici é pequena de tamanho,
mas grande de coração.
Davi S.
Pereira
Acadêmico
de Jornalismo e Rondonista
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