- Já vão? A gente vai sentir falta de vocês
passando por aqui todo dia.
Quem diz isso é uma senhora em
frente à sua casa enquanto nossa equipe volta ao alojamento para a última
refeição que as cozinheiras Francisca e Alice prepararam com esmero de sempre
em nossa estada em Murici dos Portelas.
Se no início causávamos estranhamento pela cor dos olhos e da pele, pelo
sotaque diferente e por andarmos sempre em grupo, nos últimos dias a comunidade
estava acostumada com os gaúchos de amarelo que falavam gritando.
Já estamos de volta à Teresina,
não acreditando que nossa missão está cumprida e, no silêncio de nossas camas,
tentando compreender com plenitude o que o projeto Rondon significou para
nossas vidas. Entretanto, o último contato com a comunidade, na manhã de
sábado, nos deu certeza do quanto nós significamos para os muriciences. Durante
a entrega dos certificados, todos queriam fotografar e abraçar cada um de nós,
independentemente se os conhecíamos de alguma oficina ou não. Murici dos
Portelas é, definitivamente, a cidade dos abraços.
Mas que povo é esse que
conhecemos no Piauí? Com cada rondonista que conversamos, o sentimento é o
mesmo: um povo que carrega no coração uma simplicidade ímpar, que vivem o mundo
com os pés no chão e, mesmo com as
dificuldades, cada pessoa que conhecemos faz o seu melhor do pouco que possuem. O
projeto Rondon transformou a nossa visão a respeito dessa região tão preciosa
do Brasil: convivendo nos lugares mais remotos do Piauí, encontramos um sentimento
que muitos procuram, mas não sabem como encontrar: felicidade.
| Encerramento |
Felicidade seria uma das diversas
palavras que resumiriam a reta final da operação Velho Monge. Os muricienses
nos ensinaram que para sermos felizes não é necessário nada além de estender a
mão ao próximo sem esperar nada em troca e se alegrar por isso. Mas quando
pensávamos que estávamos ajudando, na realidade era a comunidade que nos
ofereciam suas mãos. Em Murici dos Portelas, pessoas comuns nos deram o suporte
que contribuiu decisivamente para o nosso trabalho. E foi com esse povo
solícito e hospitaleiro que aprendemos nossa maior lição.
| Certas pessoas, como a professora Chaguinha, foram fundamentais para a equipe da Unicruz |
Conhecemos a professora Chaguinha
no primeiro dia de operação, quando fazíamos o primeiro contato com a
comunidade. Fomos informados de que 100 pessoas estavam escritas na oficina de
Inclusão Digital, mas não havia computadores suficientes. Foi então que a
professora nos abriu as portas da escola em que é diretora, a E.E. Otávio
Escórcio Gomes. Havia 20 computadores que precisavam ser instalados no laboratório
de informática, que por sua vez estava em reformas. Nossa equipe fez questão de
instalá-los e organizar o local e mais do que isso: a escola se tornou a nossa
segunda casa em Murici dos Portelas.
O resultado da ação da professora
é que formamos cerca de 100 pessoas na Oficina de Inclusão Digital. Tamanha
grandeza merecia algo além da nossa gratidão:
| Laboratório antes |
| Laboratório depois |
No sábado, entregamos o novo
laboratório de informática e agradecemos profundamente à professora por ter
sido tão generosa, hospitaleira e solícita conosco. Foi então que recebemos o
melhor presente do Piauí:
- Eu tenho na minha vida o
seguinte pensamento: quem não vive para servir, não serve para viver.
Davi S. Pereira
Acadêmico de Jornalismo, Rondonista e pescador de ilusões
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