quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A benção do Velho Monge - Projeto Rondon em Murici dos Portelas


Parnaíba: O Velho Monge



Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío

Creo que he visto una luz al otro lado del río
(trecho da música "Al otro lado del río", de Jorge Drexler)


Murici dos Portelas é um município que cresce às margens do rio Parnaíba, que faz divisa do Piauí com o Maranhão. As águas do Parnaíba são caudalosas e por isso é popularmente chamado de Velho Monge. No percurso desse rio está um povo com raízes bem estabelecidas, mas que carece de recursos e principalmente de uma voz amiga para auxiliá-lo a enxergar as potencialidades da terra em que nasceram. E esse é o motivo da operação em que estamos participando ser denominada Velho Monge.
Durante o tempo de atividades em Murici dos Portelas, a equipe da Universidade de Cruz Alta estabeleceu contatos e até mesmo criou laços de amizade com trabalhadores locais, que desde nossa chegada se aproximaram do projeto Rondon. Em Murici, encontramos pequenos produtores, homens que tiram da terra seu sustento, dispostos a superar as dificuldades do quase eterno verão piauiense, mas conscientes de que para tal missão necessitam de conhecimento.
Conversamos na tarde de ontem com um grupo de agricultores familiares que estão interessadíssimos na criação de gado leiteiro. A equipe da Unicruz preparou oficinas sobre a implantação do sistema silvipastoril e melhoramento de produção leiteira. Mas o que seria uma apresentação de 50 minutos tornou-se uma agradável troca de experiências que durou a tarde toda: os produtores emendavam uma questão atrás da outra, desde sobre alternativas na pastagem para o gado até criação de ovelhas. 

Conversa com produtores locais sobre criação de gado leiteiro

“Aqui no nordeste é o seguinte: a gente não tem aquela tecnologia que vocês têm disponível lá no sul e nunca veio ninguém aqui para passar uma orientação”, declara João Rodrigues. O mais espontâneo de todos, Dario Portela, não esconde a empolgação: “O Projeto Rondon caiu do céu! Murici tem muita sorte!”.
Identificamos a chave para desencadear o desenvolvimento regional: assistência técnica. Algo que parece ser tão trivial na região sul, está longe de ser realidade aqui no Piauí. O que a equipe da Unicruz tem feito ao longo da operação é orientar os produtores, apontando alternativas viáveis para um melhor rendimento, ajudando-os a visualizar que as soluções estão mais próximas do que imaginam. “Vocês não fazem ideia das alternativas que o lugar onde vocês estão oferecem”, diz o aluno Gert Muller, da Agronomia, aconselhando os produtores locais. Falta aos agricultores familiares a iniciativa de usar, de forma sustentável, a principal riqueza da região, o rio Parnaíba. Incentivamos os produtores locais a juntarem esforços na busca e elaboração de projetos que visem recursos junto ao governo para irrigação.

Acadêmicos da Unicruz em conversa sobre pesca ribeirinha


O Velho Monge já é fonte de renda de diversas famílias que vivem às suas margens: “quem trabalha na roça também pesca”, afirma José de Arimatea, presidente da Associação de Pescadores de Murici dos Portelas. Com mais de 600 associados em Murici, além das comunidades de Caxingó e Carnaúba, os pescadores locais são organizados, mas precisavam de um norte sobre como proceder para enfrentar problemas e adquirir recursos para a exploração da pesca artesanal. Assim como os agricultores familiares, a associação também manteve um contato intenso com a equipe do projeto Rondon, participando ativamente das oficinas oferecidas. Nossa equipe teve dois momentos especiais com os pescadores: no primeiro, uma reunião na Câmara de Vereadores em que foi discutido o problema do desaparecimento de espécies no Parnaíba e as alternativas de repovoamento. Já no segundo encontro, discutimos com os pescadores a forma de elaborar e onde procurar fontes para obter recursos para o projeto que a associação pretende elaborar: a obtenção de barcos a motor que fiquem à disposição dos pescadores.
Há muito a se fazer para o desenvolvimento das principais atividades econômicas da região, a pesca e a agricultura familiar. Mas o desejo de aprender que emana de homens cujas marcas da experiência já estão estampadas em suas faces nos motiva a oferecer nosso melhor e nos faz sentir que, nessa reta final de operação, nossa estada em Murici dos Portelas está valendo a pena. É perfeitamente possível superar os problemas crônicos da região, apesar dos eternos verões, da escassez de recursos e da falta de uma assistência técnica adequada. Mas isso exige trabalho (quesito em que todos aqui são exemplares) e principalmente paciência, conscientes de que os resultados virão a longo prazo. É necessário seguir o mesmo ritmo do caudaloso Parnaíba, pacientes como um Velho Monge. 

Davi S. Pereira - 
Acadêmico de Jornalismo e Rondonista

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Por um Novo Horizonte: Equipe da Unicruz na zona rural

Em Novo Horizonte, estabelecendo laços de amizade e troca de conhecimento


 Porteira adentro, a comunidade rural de Novo Horizonte apresenta um ambiente alternativo, depois de uma semana de atividades concentradas na cidade de Murici dos Portelas. Se partirmos da ideia de que lugares são formados por mundos dentro de outros mundos, podemos dizer que Novo Horizonte, assim como as outras comunidades rurais atendidas pelo projeto Rondon, é um lugar único no município.
A impressão de quem adentra a porteira de Novo Horizonte é que está dentro de um daqueles lugares, talvez dos livros de Jorge Amado, embora não estejamos na Bahia. O clima tropical agora faz sentido, principalmente se levarmos em consideração o fato de estarmos acostumados com o ambiente subtropical do Rio Grande do Sul.
A vivacidade em Novo Horizonte se resume na espontaneidade das crianças

Mas o aspecto mais peculiar de todo o lugar é a cor: Novo Horizonte é prateado como seria o terreno lunar, resultado dos raios do sol das nove horas em contraste com o terreno predominantemente arenoso, que por sua vez destaca a pele morena dos amistosos e receptivos moradores. Não se percebe só a diferença na coloração – no noroeste gaúcho, as cores variam entre o verde e o dourado da soja e do trigo - , mas um contraste também em nossas ideias em torno do conceito de ruralidade.
“Aqui é melhor quando temos um bom inverno”, comenta Seu Manoel da Silva, denunciando a nós que realmente estamos em um mundo em que as relações clima-tempo-trabalho são completamente diferentes. Inverno no Piauí corresponde ao período das chuvas, exatamente no período em que estamos aqui. Entretanto, foram poucos os dias em que realmente choveu intensamente durante nossa estada em Murici dos Portelas.
"O terreno arenoso, por sua vez, contrasta com a pele morena dos amistosos e receptivos moradores"

Em Novo Horizonte, os pequenos agricultores plantam milho, mandioca e feijão, na realidade, variadas espécies de feijão que ainda não tínhamos ouvido falar. Um ou outro tem algumas vacas, duas a três, no máximo, para o leite da família, enquanto as galinhas passeiam livremente na comunidade. “A maioria de nós aqui era do Murici, mas quem vem pra cá vem pra trabalhar”, ressalta Francisco da Silva, ideia essa reforçada por todo mundo que esteve presente na Oficina de Manejo de Frango Caipira e Suinocultura. Os simpáticos moradores da comunidade querem crescer: prova disso são as metas estabelecidas na parede da igreja.

Manoel (à esquerda) e Francisco: ávidos por troca de experiências

Sigo na conversa com o Seu Manoel junto à janela da igreja:
“A produção nossa é pequena e tudo que fizemos na roça é na mão mesmo. Só tem máquina quem tem mais dinheiro. Mas a gente se vira como pode. Tá vendo aquela planta ali no meio (aponta para uma muda de algo parecido com o nosso cinamomo)? É uma árvore nova, a gente nem sabe o nome, mas esses dias descobrimos que é boa contra praga no feijão”. Então começamos a falar sobre feijão e que amanhã mesmo, se assim Deus quiser, ele vai começar a plantar, porque alguns já começaram. “Esses caboclos que passaram de moto agora (cena muito comum em Murici dos Portelas), vão todos trabalhar no corte de cana”. 

Ao fundo, o lugar onde é feita a farinha de mandioca, cultura comum em Novo Horizonte

Seu Manoel gosta de conversar, assim como todos em Novo Horizonte. Até mesmo as crianças:
“Vocês vão sentir saudades de mim?”, perguntou a rondonista Mariela Camargo para a criançada que se juntou em volta dela. “De você não, mas do jeito que você fala”, respondem. O povo piauiense também gosta de ouvir.
"Vamos sentir saudades do jeito que você fala"


Para Francisco da Silva, um dos primeiros a chegar, felicidade é a palavra que resume a chegada do projeto Rondon na comunidade: "Achei muito boa essa troca de experiência. As informações que vocês nos passaram vão ser bem proveitosas para melhorar nosso rendimento". E não é exagero dizer que, em Novo Horizonte, todos ficaram felizes com nossa presença. Perguntei para outro morador, Antônio dos Santos, se a comunidade recebia alguma assistência técnica: "Aqui não vem ninguém não. No máximo vem o agente de saúde e tudo o que fizemos é conforme a gente acha ser a melhor maneira". 
Na oficina da manhã de domingo, o acadêmico Giliardi Zanatta conversou de igual para igual com os produtores locais, que se mostraram participativos, receptivos e atentos a todas as informações repassadas. Em Novo Horizonte mora um povo simples, mas organizado, repleto de saberes e sobretudo preocupado em crescer enquanto comunidade. E nosso desejo  é ajudar a apontar novos horizontes de possibilidades.

Davi S. Pereira
Acadêmico de Jornalismo e Rondonista

sábado, 25 de janeiro de 2014

Unicruz realiza oficina voltada para ações empreendedoras

As oficinas realizadas em Murici dos Portelas pelos estudantes da Universidade de Cruz Alta (RS) têm seguido a filosofia de apontar caminhos e potenciais aos participantes, conscientizando que, a partir das ferramentas que dispõem na própria comunidade, todos podem contribuir para o desenvolvimento local.
A primeira semana do projeto Rondon no município foi voltada para atividades na zona urbana, com oficinas nas áreas de Comunicação, Meio Ambiente, Tecnologia e Produção, além de Geração de Trabalho e Renda.

Oficina "Aprendendo a Empreender"

As oficinas elaboradas pelos alunos da Unicruz têm envolvido os participantes, colhendo ótimos resultados. Nos dias 23 e 24 foi realizada a oficina “Aprendendo a Empreender”, sob o comando do acadêmico de Direito, Cleiton Sell. A atividade discutiu a importância de ações empreendedoras na comunidade, motivando os participantes a olharem para a realdade local, identificarem as demandas e não terem receio de ser criativos e inovadores.

Equipe apresenta ideias para novo empreendimento local

O resultado foi a criação e apresentação de três planos de negócios. Os participantes da oficina se dividiram em grupos, discutiram as necessidades do município e criaram ideias de empreendimentos para apresentar ao público. Foram apresentados um centro de lazer, uma loja de variedades e uma loja de roupas para bebês. Cada empreendimento foi pensado a partir de necessidades que os próprios moradores comentam nas conversas com os rondonistas: os mais jovens sentem falta de mais opções de lazer. Por outro lado, Murici dos Portelas tem alto índice de natalidade, mas não há uma loja que venda o enxoval dos bebês.


 A oficina de empreendedorismo ajudou os participantes a compreenderem seu papel de empreendedores e que cada iniciativa contribui para o desenvolvimento local.

Uma semana em Murici dos Portelas: Ouvir e somar para multiplicar



 Fechamos uma semana de trabalhos em Murici dos Portelas e a impressão é que estamos há tempos aqui. Apesar do cumprimento do cronograma de atividades, a rotina não se repete, pois a cada oficina conhecemos novos mundos, novas histórias de pessoas com vontade de aprender.
- Eu sempre digo: tudo o que você fizer, vale a pena. Só não vale a pena o que você não faz – diz o professor Francisco, radialista e apresentador nos horários de maior audiência da rádio local, a Listris FM, toda vez que aconselha seus ouvintes a participarem das oficinas oferecidas pela equipe do Projeto Rondon. Em Murici dos Portelas há muitas pessoas criativas, sabedoras das necessidades locais e com vontade de colocar suas ideias em prática. Mas como elas mesmas dizem, falta um “empurrãozinho” em direção ao caminho certo. E todos enxergam em cada um dos rondonistas como os agentes que darão a orientação correta.
A equipe da Universidade de Cruz Alta acredita que o trabalho não consiste em imposições de nossas próprias ideias, mas de contribuir para aflorar o potencial escondido dos cidadãos do município. Por isso a palavra da semana é Ouvir. Escutamos trabalhadores da cidade, produtores rurais, pescadores, estudantes, mães e crianças, com o objetivo de descobrir de que forma cada um de nós pode contribuir com os conhecimentos adquiridos na universidade.


- Somos um povo que trabalha muito com muito pouco. O problema do nordeste é que todo mundo de fora que vem aqui não pensa em soluções de acordo com nossa realidade – comenta Seu João Gomes, produtor e também do sindicato dos funcionários públicos, enquanto conversávamos e concluíamos que, muitas vezes o “feijão com arroz”, acrescentando também o tempero da paciência, é o prato necessário para resolver muitos problemas que atingem a economia local, predominantemente rural.
A fórmula aplicada no trabalho dos rondonistas em Murici dos Portelas é a soma do nosso conhecimento mais o potencial e conhecimento da comunidade. O resultado final é criar multiplicadores que contribuam para o desenvolvimento social e melhor qualidade de vida de um município que merece muito mais do que um ponto no mapa piauiense, tamanho o valor das pessoas que aqui moram.
Como disse o Seu Bernardo (o da sorveteria), Murici é pequena de tamanho, mas grande de coração.

Davi S. Pereira


Acadêmico de Jornalismo e Rondonista


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Murici dos Portelas: Cidade feita de Abraços


Estamos há dois dias em Murici dos Portelas, jovem município enraizado na parte norte do Piauí. Foram seis horas de Teresina até nosso destino final, numa viagem cansativa, mas embalada pela empolgação que tomava conta da “moçada do fundão”, no caso, nós.  Ninguém fazia ideia do que iríamos encontrar, mas no calor da estrada e no entusiasmo da equipe algo dizia que seria simplesmente único.
                Ao chegar em Murici dos Portelas, fomos abraçados. Literalmente.
                Em Murici, a palavra abraço se junta ao verbo sentir. Acredito que encontramos aqui o verdadeiro significado de hospitalidade: apesar da pouca infraestrutura e recursos, o povo da cidade nos tem oferecido, na sua simplicidade e humildade, o seu Melhor (sim, maiúsculo) e nada seria mais precioso do que isso. A roda de capoeira e a apresentação da quadrilha de xaxado – para mim, um grande musical com pinta de ópera sobre a saga de Virgulino Lampião – foram primorosas. A comida é feita com esmero de uma mãe para com os filhos e os pratos são verdadeiras iguarias, que nos faz perguntar como que nunca na vida  provamos feijão de corda e vatapá.
                A cidade são as pessoas e para conhecê-la de fato, precisamos senti-la. Essa foi a nossa motivação na primeira manhã em Murici, quando fomos de porta em porta, loja em loja, bar em bar, para divulgar pessoalmente a chegada do projeto Rondon. Em cada pessoa, conhecíamos um mundo diferente, descobríamos algo novo e sobretudo a dar atenção: Em Murici dos Portelas mora um povo carente de ouvidos que possam ouvir suas histórias e de braços dispostos a abraçá-los. As crianças nos dão seus braços para que possamos pegá-las no colo. No final das oficinas, as pessoas agradecem intensamente com esse símbolo máximo e universal do afeto. Eu mesmo não lembrava do valor de um abraço.

                Mais do que nos receber com carinho, o povo tem sido solícito para que nossas oficinas saiam da melhor forma possível. Quando chegamos em Murici, havia somente cinco computadores para nossos cursos na área de informática. E foi numa simples conversa com a diretora de uma escola que descobrimos o que chamamos de “mina de ouro”: havia na escola 18 computadores disponíveis, que ainda precisavam ser instalados no laboratório de informática. Por sua vez, o espaço estava em reforma e precisava ser limpo. O resultado foi um intenso mutirão. Quando nos demos por conta, estávamos contribuindo efetivamente para a comunidade, deixando a nossa primeira marca na cidade.
                Nossas primeiras oficinas e contatos causaram comoção e impacto no grupo todo. Gert e Jean voltaram emocionados da oficina de Controle Ecológico de Pragas e Plantas Medicinais: “Nossa conversa foi olho-no-olho”, disse o Gert. Estamos sentindo aqui que podemos contribuir efetivamente para a comunidade. Sabemos o quanto a participação em um projeto como esse pode contribuir para nossa vida profissional, mas isso é muito pouco comparado ao sentimento de que viemos de longe, muito longe, para bater um bom papo, receber sorrisos e abraços e aprender que, não importa se em Cruz Alta ou Murici dos Portelas, ainda estamos em casa. Como previa, nossa visão de mundo, identidade e de lugar em que vivemos está sendo alterada. Em suma, nossa vida está mudando. Para melhor.
Primeira lição: O Brasil é nossa casa.

Davi S. Pereira
Acadêmico de Jornalismo e Rondonista

sábado, 18 de janeiro de 2014

Grupo do Rondon Unicruz rumo a Murici dos Portelas: primeiras sensações rondonistas





Equipe de Rondonistas da Unicruz em frente ao palácio do governo em Teresina
O tempo urge, bem como o sono e o dever de acordar cedo no 25º Batalhão de Caçadores em Teresina (aceita-se também a grafia “Theresina”, ao que parece), no Piauí (em tempo: Luiz Gonzaga, o rei do baião, serviu nesse batalhão). Assim, nada resume melhor a nossa sensação dos primeiros dias em terras nordestinas do que a pergunta que o colega Giliardi Zanatta me fez no descolamento do aeroporto ao quartel. Assim disse ele, nesses termos:
- Cara, tu já parou para pensar onde que a gente está?
Realmente, uma das maiores forças do Projeto Rondon está em mobilizar professores e alunos de um extremo a outro do Brasil na missão mais nobre possível: formar jovens cidadãos comprometidos com o desenvolvimento social do lugar onde vivemos. O mais interessante é que o projeto nos mostra que o que chamamos de “lugar onde vivemos”, na verdade é uma gigantesca nação de quase 200 milhões de habitantes, única em sua diversidade cultural, geográfica, climática (foram os 30 graus mais quentes que sentimos em Teresina) e principalmente humana.
Desde o aeroporto Salgado Filho, algumas pessoas mais velhas nos paravam para perguntar: “Para onde vocês vão? Ah, quando era jovem também participei do Rondon”, dizia uma simpática senhora natural de Fortaleza, Ceará, ainda em Porto Alegre. Na sala de embarque, outro senhor: “Participei do Projeto Rondon nos anos 70”. Ouvir essas pessoas nos desejando boa sorte e empolgadas com nossa partida nos deixou com o sentimento de que partíamos rumo a algo que mudará nossas vidas para sempre. É possível sentir um forte simbolismo em torno do Rondon, em todas as atividades que participamos até agora.
Sentir. Esse é o verbo que impera no nosso primeiro contato com a “nação Rondon”. A sensação é de que os sotaques mais distintos dos rondonistas reunidos no 25º BC são como uma música nunca antes tocada. O sentimento de dever nos envolve quando ouvimos a banda de música tocar os dobrados e assistimos ao desfile militar. Sentimos o calor literal, atenuado pelo calor humano do povo teresinense: nada melhor do que, em terras desconhecidas, alguém que nunca vimos nos parar, olhar nos nossos olhos e dizer: “sejam bem-vindos ao nosso estado”. 
Com os colegas de operação, mineiros da UFMG

Teresina nos acolheu muito bem, durante esses dois dias de estada na cidade. A “tour” pelos principais pontos da capital: parque Nova Potycabana, encontro entre os rios Parnaíba e Poti, Palácio do Governo do Estado e no mirante da Ponte Estaiada. O deslocamento para o município de Murici dos Portelas, no norte do estado, é amanhã. Esperamos retribuir as boas vindas teresinenses com muito trabalho, dedicação às atividades e ouvidos e olhos atentos para aprender com as pessoas que vamos conhecer por lá. O Piauí é nossa casa por duas semanas e já amamos como se fosse a nossa, lá na velha Cruz Alta.
“Não nos pergunte do que somos capazes. Dê-nos a missão” – lema pintado na parede do 25º BC.
Davi S. Pereira – acadêmico de Jornalismo e Rondonista



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Operação Velho Monge: rondonistas da Unicruz Rumo ao Piauí




Finalmente chegou o dia da Universidade de Cruz Alta embarcar rumo a mais uma missão de cidadania, conhecimento e compromisso social. O Projeto Rondon inicia no Piauí e também no Maranhão a Operação Velho Monge, que contemplará diversos municípios desses estados nordestinos. Como não poderia ser diferente, o Núcleo do Projeto Rondon da Unicruz participará dessa operação. Nesse ano, a equipe que representará a universidade são os alunos e professores do conjunto B, e desenvolverão ações nas áreas de Comunicação, Meio Ambiente, Trabalho, Tecnologia e Produção no município de Murici dos Portelas (PI).
O trabalho de preparação foi intenso no Núcleo durante todo o ano de 2013, mas nos últimos dias, o foco nas oficinas e a expectativa crescente foi a tônica do grupo. A experiência já é considerada positiva mesmo antes da saída, pois os integrantes da equipe, que são de diferentes cursos da Unicruz, criaram laços mais sólidos de convivência e amizade. E mais do que isso: pensar e discutir as oficinas de diferentes áreas que serão ministradas em Murici dos Portelas com todo o grupo foi uma excelente troca de conhecimento e experiência.
A operação Velho Monge começa oficialmente no próximo dia 18 (sábado), em Teresina. Após a abertura, a equipe se deslocará para o município e desenvolverá atividades durante 14 dias. Serão ministradas oficinas tanto na cidade quanto na zona rural. O time de rondonistas da Unicruz é: Mariela Camargo (Arquitetura), Cleiton Sell (direito), Giliardi Zanatta (Medicina Veterinária), Jean Roque, Gert Müller e Suele Schimitt (Agronomia), Maurício Otto (Ciência da Computação) e Davi Pereira (Jornalismo), além dos professores coordenadores Ana Paula Ferreira e Malcon Martinez.

Através do blog, vamos atualizá-los sobre a nossa experiência na missão de contribuir para plantar a semente de desenvolvimento social de Murici dos Portelas, além, é claro, de tudo que vamos aprender através do contato com os moradores locais. Cabe lembrar que a Universidade Federal de Minas Gerais fará “dupla” com a Unicruz no município, com atividades do conjunto A. O retorno está previsto para o dia 4 de fevereiro.

                                 Davi S. Pereira - Acadêmico de jornalismo e rondonista